Inaugurada há 140 anos, a Estátua da Liberdade quase ficou sem pedestal por falta de recursos. Uma campanha na imprensa e um poema foram decisivos para salvar o projeto e transformar o monumento em um dos maiores símbolos dos Estados Unidos.
Duas décadas de planejamento, 120 mil doadores e a participação do engenheiro Gustave Eiffel marcaram a construção de um dos maiores símbolos dos Estados Unidos. Inaugurada em 28 de outubro de 1886, a Estátua da Liberdade quase ficou sem pedestal por falta de dinheiro e teve sua cerimônia marcada por protestos em defesa dos direitos das mulheres.
Naquele dia chuvoso, autoridades, marinheiros, trabalhadores e milhares de espectadores acompanharam a inauguração de “A Liberdade Iluminando o Mundo”, nome oficial do monumento oferecido pela França aos Estados Unidos. O presidente Grover Cleveland recebeu a obra em nome do povo americano, na então Ilha de Bedloe, hoje conhecida como Ilha da Liberdade.
Nova York decretou feriado geral, e o Brooklyn, ainda uma cidade independente, suspendeu as aulas. A celebração começou no Madison Square Park, onde o braço e a tocha da estátua haviam sido expostos anos antes para estimular doações. Uma procissão atravessou Manhattan em direção ao Battery Park, enquanto funcionários lançavam serpentinas pelas janelas dos edifícios, criando uma tradição que ajudaria a popularizar os desfiles de confetes na cidade.
Cerca de 300 embarcações acompanharam o deslocamento até a ilha. No momento mais aguardado, o escultor francês Frédéric-Auguste Bartholdi puxou inadvertidamente a corda que cobria o rosto da estátua, revelando-o antes do previsto. Salvas de canhão, apitos de navios, música e aplausos marcaram a conclusão da cerimônia.
A festa, entretanto, também expôs as contradições da época. As sufragistas lideradas por Lillie Devereux Blake foram excluídas da solenidade oficial. Em resposta, fretaram um barco e exibiram faixas em defesa dos direitos das mulheres. Das mais de duas mil pessoas convidadas, apenas duas eram mulheres, segundo relatos da imprensa daquele período. A ativista questionou a ironia de uma homenagem à liberdade organizada praticamente só por homens.
O projeto havia começado em 1865, quando o intelectual francês Édouard de Laboulaye propôs a construção de um monumento para celebrar a independência americana e a amizade entre os dois países. A iniciativa também estava associada à abolição da escravidão nos Estados Unidos.
A França assumiu a construção da estátua, enquanto os americanos ficaram responsáveis pelo pedestal. A arrecadação, porém, avançou lentamente, ameaçando deixar a escultura pronta sem uma base para sustentá-la. Em 1883, a poetisa Emma Lazarus escreveu o soneto “O Novo Colosso”, posteriormente imortalizado em uma placa instalada no pedestal. Dois anos depois, o editor Joseph Pulitzer lançou uma campanha no jornal New York World, que arrecadou mais de US$ 100 mil de aproximadamente 120 mil doadores.
Bartholdi contou com o engenheiro Gustave Eiffel para desenvolver a estrutura metálica interna capaz de sustentar o revestimento de cobre e resistir aos ventos e às condições climáticas do porto. A estátua foi concluída na França em 1884, desmontada em 350 peças e transportada em 214 caixas para Nova York, onde chegou em junho de 1885.
Com o pedestal concluído em abril de 1886, a montagem final foi realizada a tempo da inauguração. O monumento passou por diversas restaurações, incluindo a substituição da tocha original, deteriorada pela exposição ao tempo. Em 1924, tornou-se Monumento Nacional dos Estados Unidos.
Quase um século e meio depois, a Estátua da Liberdade continua representando liberdade e esperança. Sua história, entretanto, revela que até os símbolos mais poderosos dependem de financiamento, engenharia, mobilização popular e de uma sociedade disposta a enfrentar as contradições entre os ideais que proclama e a realidade que vive.


Show de bola demais
Muito bom caro Alfredo,
Cultura de verdade se faz com textos claros e objetivos?
Siempre crei que fue la logia masonica la que creo este monumento. De todas maneras es una estatua nada mas, podemos mirar a los cielos donde Cristo ya pago por nuestra libertad. Debemos mirar mas arriba. Salmo 121.