Restaurantes italianos incentivam diálogo familiar sem celulares à mesa

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Na Sardenha, 15 restaurantes aderirão a uma experiência de 30 dias que busca recuperar a conversa à mesa. Durante o projeto, celulares darão lugar a brincadeiras e dinâmicas preparadas por pediatras, com o objetivo de fortalecer os vínculos entre pais e filhos.

A Sardenha, ilha italiana no mar Mediterrâneo, lançará na próxima semana um projeto experimental para estimular o convívio familiar e reduzir o uso de celulares durante as refeições. Quinze restaurantes participarão da iniciativa, que terá duração de um mês e pretende transformar o momento à mesa em uma oportunidade de diálogo entre pais e filhos.

Batizado de “A tavola senza schermi”, expressão que significa “À mesa sem telas”, o programa foi idealizado por Anna Cau, ex-juíza de um tribunal de menores e defensora dos direitos das crianças na região. A proposta é criar ambientes que favoreçam a interação humana, sem depender exclusivamente da disposição individual de cada família para limitar o uso de dispositivos eletrônicos.

A participação será voluntária. Ao chegar aos estabelecimentos, os integrantes das famílias serão convidados a entregar seus celulares à equipe durante a refeição. Em contrapartida, receberão um conjunto de atividades recreativas, com jogos e materiais para desenho desenvolvidos pela Federação Italiana de Pediatras. A intenção é oferecer alternativas ao entretenimento digital e incentivar a conversa, especialmente entre crianças e seus responsáveis.

O material também incluirá orientações sobre os riscos da exposição excessiva às telas e recomendações para administrar o uso das redes sociais no ambiente doméstico. As atividades serão planejadas para acompanhar a duração habitual de almoços e jantares, permitindo que a desconexão ocorra de maneira prática e adequada à rotina das famílias.

Segundo Anna Cau, a iniciativa não pretende simplesmente proibir o uso de celulares, mas construir condições favoráveis ao desenvolvimento das crianças e à convivência social. A ideia é envolver espaços públicos e estabelecimentos comerciais na tarefa de apoiar os pais, evitando que toda a responsabilidade pela educação digital recaia sobre as famílias.

O projeto conta com a colaboração da representação regional da Fipe-Confcommercio, entidade italiana ligada aos setores de alimentação, turismo e entretenimento. Emanuele Frongia, presidente da organização na Sardenha, afirmou que os 15 restaurantes aceitaram participar prontamente e que existe a possibilidade de ampliar a experiência após o período inicial.

A adesão dos estabelecimentos está relacionada a uma mudança percebida pelos profissionais do setor: refeições antes marcadas por conversas vêm sendo substituídas pelo silêncio de clientes concentrados nas telas. Em algumas situações, os próprios pais entregam celulares às crianças para mantê-las entretidas durante o almoço ou jantar.

Se apresentar resultados positivos, o programa poderá inspirar iniciativas semelhantes em outras localidades. Mais do que retirar aparelhos eletrônicos da mesa, a experiência busca recuperar a importância da conversa, da atenção compartilhada e dos vínculos familiares em uma sociedade cada vez mais conectada digitalmente.

Produzida por Alfredo Bessow, a partir de informações de agências de notícias

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