A queda atingiu principalmente turistas do Canadá, da Rússia, emigrantes cubanos e dos Estados Unidos. Segundo o Instituto Nacional de Estatística, Cuba registrou 890.140 chegadas a menos nos primeiros nove meses, agravando a crise em uma das principais fontes de divisas estrangeiras do país
O turismo em Cuba enfrenta uma das crises mais graves de sua história recente. Entre janeiro e setembro de 2026, apenas 477.707 turistas internacionais visitaram a ilha, uma queda de 34,9% em relação ao mesmo período de 2025. Os dados do Escritório Nacional de Estatísticas e Informação (ONEI) apontam 890.140 chegadas a menos, evidenciando o aprofundamento da crise em um setor fundamental para a obtenção de divisas estrangeiras.
A retração atingiu principalmente o Canadá, tradicionalmente o principal mercado emissor de turistas para Cuba. O país registrou 430.460 visitantes a menos, uma redução de 76,9%. Também houve quedas expressivas entre os turistas russos, com 67.205 chegadas a menos, os emigrantes cubanos, com redução de 60.081, e os visitantes dos Estados Unidos, com 42.984 a menos.
Outros mercados importantes igualmente apresentaram resultados negativos. O México perdeu quase 45% de seus visitantes em comparação com o ano anterior. A Espanha registrou retração de 69,6%, enquanto Argentina, Colômbia, China e Itália também apresentaram quedas significativas.
Setembro foi o pior mês de 2026 em número de chegadas, com apenas 27.354 turistas. A redução ocorre em meio à escassez de combustível, aos apagões frequentes e às dificuldades operacionais que afetam o transporte aéreo. Em fevereiro, após o agravamento das restrições relacionadas ao abastecimento de petróleo, diversas companhias aéreas reduziram ou suspenderam voos para a ilha, contribuindo para a diminuição do fluxo internacional.
Apesar desse cenário, o Grupo de Turismo Gaviota, ligado ao conglomerado militar GAESA, inaugurou um novo hotel em Varadero, destinado exclusivamente a adultos e com 85 quartos. A iniciativa contrasta com a situação de grande parte da infraestrutura hoteleira do país.
Segundo a diretora de vendas da Gaviota, Elia Elena Cortés, a empresa mantém apenas 3.470 quartos operacionais, de um total superior a 30 mil unidades que afirma administrar. A situação reflete a ociosidade de grande parte da capacidade instalada.
Para analistas econômicos, o declínio do turismo cubano já vinha se manifestando antes do agravamento das sanções americanas. A crise econômica, a escassez de produtos básicos, a deterioração dos serviços e a redução da conectividade aérea compõem um conjunto de fatores que compromete a recuperação do setor e reduz a entrada de recursos externos no país.
- com informações de agências e sites internacionais


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